Tem um cansaço que ninguém de fora entende. Não é o cansaço de quem dormiu mal — é o corpo desligando no meio da tarde, mesmo depois de uma noite inteira de sono.
Some a isso a perna que pesa no fim do dia, o equilíbrio que falha quando você olha para o lado e o calor de fevereiro em São Paulo, que faz tudo piorar de uma hora para a outra.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, e trabalho com neurorreabilitação há 11 anos, no consultório em Higienópolis e no Hospital das Clínicas da USP.
A fisioterapia para esclerose múltipla não substitui o tratamento da doença conduzido pelo neurologista nem as terapias modificadoras da doença, quando indicadas. Ela atua diretamente sobre as consequências funcionais que aparecem no seu dia: a fadiga, o equilíbrio, a marcha, a rigidez e a autonomia que você não quer perder.
Na esclerose múltipla, um processo inflamatório mediado pelo sistema imunológico pode danificar a mielina — a camada que recobre os axônios — e também os próprios axônios no sistema nervoso central, que inclui cérebro, medula espinhal e nervos ópticos.
Com isso, a transmissão dos sinais nervosos pode ficar mais lenta ou até ser interrompida em algumas vias. Como as áreas afetadas variam de pessoa para pessoa, os sintomas também podem ser muito diferentes e oscilar ao longo do tempo.
Isso muda a lógica do tratamento. Não existe um protocolo fixo que sirva para todo mundo, e um plano bom precisa ser revisto sempre que o corpo mudar.
O treino trabalha em duas frentes ao mesmo tempo: melhorar o que dá para melhorar — força, condicionamento, equilíbrio, marcha — e organizar a energia do dia, para você chegar às sete da noite ainda com alguma reserva.
E a dose é um ponto central. Um estímulo insuficiente pode não produzir o ganho esperado; uma carga acima da tolerância individual pode aumentar excessivamente a fadiga ou agravar temporariamente alguns sintomas. O objetivo é encontrar uma intensidade que gere adaptação sem comprometer o restante do dia.
A avaliação dura cerca de uma hora e costuma render mais no seu melhor horário do dia. Se possível, agende nesse horário.
Cada plano usa parte disso, não tudo. A escolha sai da avaliação.
É uma das queixas mais frequentes e incapacitantes da esclerose múltipla — e uma das mais malcompreendidas por quem está em volta. Essa fadiga não é simplesmente o cansaço habitual e, muitas vezes, o descanso isolado não é suficiente.
O manejo pode envolver organização das atividades, estratégias de conservação de energia, pausas planejadas e exercício físico estruturado. Trabalhamos a distribuição das tarefas ao longo do dia e o condicionamento para aumentar a tolerância às atividades sem consumir toda a energia disponível.
O desequilíbrio na esclerose múltipla pode resultar da combinação de diferentes alterações: fraqueza, coordenação, sensibilidade e propriocepção, alterações cerebelares, componentes visuais ou vestibulares e a própria fadiga.
Por isso, o treino é definido a partir do que encontramos na avaliação e pode combinar base de apoio, reações de equilíbrio, treino sensorial, coordenação e resistência de caminhada. Quando existe pé caído ou ocorrem quedas e/ou tropeços frequentes, avaliamos o uso de órtese em conjunto com o treino.
Exercícios de força e treinamento aeróbico têm bom respaldo na literatura e podem melhorar capacidade física, mobilidade e fadiga em pessoas com esclerose múltipla. O detalhe está na progressão: aumentamos a carga gradualmente, considerando o nível funcional, a fadiga e a sensibilidade ao calor, com pausas planejadas quando necessário.
A perna que endurece à noite, o espasmo que acorda, o joelho que dificulta o movimento ao levantar. Antes de simplesmente tentar diminuir o tônus, é importante investigar fatores que podem aumentar a espasticidade, como dor, infecção, alterações urinárias ou intestinais e posicionamento inadequado.
O manejo pode envolver posicionamento, mobilidade, treino ativo e, quando necessário, discussão com o médico sobre tratamento medicamentoso, toxina botulínica ou neuromodulação não invasiva.
Muita gente com esclerose múltipla parece bem por fora e está exausta por dentro, o que gera cobrança injusta em casa e no trabalho. Explicar isso à família faz parte do tratamento — e não é cobrado à parte.
Na esclerose múltipla, técnicas de neuromodulação não invasiva, como EMT e ETCC, vêm sendo estudadas principalmente para sintomas como fadiga e espasticidade. Outros desfechos, incluindo dor, cognição e função motora, também são investigados, mas os resultados ainda são heterogêneos e dependem da técnica, do protocolo e do perfil do paciente.
| EMT | ETCC | |
|---|---|---|
| O que usa | campo magnético que induz correntes elétricas no tecido cerebral | corrente elétrica contínua e de baixa intensidade aplicada pelo couro cabeludo |
| Como atua | pode induzir diretamente atividade neuronal, dependendo dos parâmetros utilizados | modula a excitabilidade das redes neurais, sem produzir diretamente um potencial de ação a cada estímulo |
| Sensação | batidinha no couro cabeludo | leve formigamento |
| Durante a sessão | geralmente, você permanece sentado durante a estimulação | em alguns protocolos, pode ser associada ao treino ao mesmo tempo |
| Onde é feita | só no consultório | no consultório e, em protocolos selecionados, pode existir aplicação domiciliar supervisionada |
Preciso ser direta aqui: embora existam resultados promissores, a evidência da neuromodulação na esclerose múltipla ainda é menos consolidada do que a do exercício e da reabilitação. Há estudos mostrando benefício para alguns sintomas, especialmente fadiga e espasticidade, mas os protocolos são bastante heterogêneos e não existe promessa de resposta individual.
Antes da aplicação, faço uma triagem específica de segurança. Histórico de convulsões, gestação, presença de implantes ou dispositivos eletrônicos e materiais metálicos próximos à região de estimulação precisam ser avaliados de acordo com a técnica utilizada. Essas situações não representam, necessariamente, a mesma contraindicação para EMT e ETCC, e nem todas constituem contraindicação absoluta. Se a neuromodulação não fizer sentido ou não for segura para o seu caso, eu digo isso na avaliação.
Não. Hoje sabemos que o exercício, quando adequadamente prescrito, é seguro para pessoas com esclerose múltipla e faz parte do cuidado recomendado. Durante muito tempo existiu receio de que o esforço pudesse piorar a doença, e essa ideia ainda faz muita gente chegar ao consultório com medo de se exercitar.
O exercício pode melhorar força, condicionamento, mobilidade, equilíbrio e fadiga. O ponto importante não é evitar o exercício, mas individualizar modalidade, intensidade, duração, progressão e estratégias de recuperação.
O que pode confundir é a sensibilidade ao calor. Em algumas pessoas com esclerose múltipla, um pequeno aumento da temperatura corporal pode piorar temporariamente sintomas neurológicos já existentes — a visão pode embaçar, a perna pode pesar mais e o equilíbrio pode piorar. Isso é conhecido como fenômeno de Uhthoff e está relacionado à alteração temporária da condução nos axônios desmielinizados.
Em geral, os sintomas relacionados ao fenômeno de Uhthoff melhoram quando a temperatura corporal retorna ao normal e, isoladamente, não significam a formação de uma nova lesão. Sintomas novos, diferentes do habitual ou que persistem precisam ser avaliados, inclusive para diferenciar fenômeno de Uhthoff, infecção e possível surto.
Em São Paulo, isso pesa principalmente nos períodos mais quentes do ano. Por aqui, a sessão é ajustada: horário mais fresco, sala climatizada, água gelada por perto, pausas planejadas e intensidade calibrada nos dias de temperatura elevada. Para quem treina fora, oriento evitar o meio da tarde e escolher um trajeto com sombra.
O que a fisioterapia não faz: não substitui as terapias modificadoras da doença indicadas pelo neurologista nem deve ser apresentada como uma forma de impedir surtos. A reabilitação e o tratamento neurológico têm funções diferentes e complementares no cuidado da esclerose múltipla.
Não. Hoje sabemos que o exercício, quando adequadamente prescrito, é seguro para pessoas com esclerose múltipla e faz parte do cuidado recomendado. Durante muito tempo existiu receio de que o esforço pudesse piorar a doença, e essa ideia ainda faz muita gente chegar ao consultório com medo de se exercitar.
O exercício pode melhorar força, condicionamento, mobilidade, equilíbrio e fadiga. O ponto importante não é evitar o exercício, mas individualizar modalidade, intensidade, duração, progressão e estratégias de recuperação.
O que pode confundir é a sensibilidade ao calor. Em algumas pessoas com esclerose múltipla, um pequeno aumento da temperatura corporal pode piorar temporariamente sintomas neurológicos já existentes — a visão pode embaçar, a perna pode pesar mais e o equilíbrio pode piorar. Isso é conhecido como fenômeno de Uhthoff e está relacionado à alteração temporária da condução nos axônios desmielinizados.
Em geral, os sintomas relacionados ao fenômeno de Uhthoff melhoram quando a temperatura corporal retorna ao normal e, isoladamente, não significam a formação de uma nova lesão. Sintomas novos, diferentes do habitual ou que persistem precisam ser avaliados, inclusive para diferenciar fenômeno de Uhthoff, infecção e possível surto.
Em São Paulo, isso pesa principalmente nos períodos mais quentes do ano. Por aqui, a sessão é ajustada: horário mais fresco, sala climatizada, água gelada por perto, pausas planejadas e intensidade calibrada nos dias de temperatura elevada. Para quem treina fora, oriento evitar o meio da tarde e escolher um trajeto com sombra.
O que a fisioterapia não faz: não substitui as terapias modificadoras da doença indicadas pelo neurologista nem deve ser apresentada como uma forma de impedir surtos. A reabilitação e o tratamento neurológico têm funções diferentes e complementares no cuidado da esclerose múltipla.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, CREFITO 3/159984-F.
Atuo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e no Instituto Parkinson Hoje. Coordeno cursos de neuromodulação para outros fisioterapeutas, tenho formação em neuromodulação clínica pela USP e em neurorreabilitação por Harvard e participo de estudos e publicações da área.
Digo isso por um motivo prático: em esclerose múltipla, o erro mais comum não é escolher o exercício errado — é escolher a dose errada e insistir nela. Ajustar a carga a um corpo que muda de semana para semana é a parte difícil do trabalho.
Conto com uma equipe sob minha supervisão no dia a dia, mas todos os casos são coordenados por mim.
O consultório fica na Av. Angélica, 2220, 4º andar, conjunto 44, em Higienópolis.
A estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, fica a poucos minutos a pé e tem elevador — detalhe que importa em um dia de fadiga alta. Também estamos perto do Hospital das Clínicas e da Santa Casa, onde boa parte dos pacientes faz acompanhamento neurológico. Recebo paciente de toda a cidade — Pinheiros, Tatuapé, Morumbi, Santana — e também de Guarulhos, Osasco e do ABC.
Um aviso prático de quem atende por aqui: a viagem até o consultório já consome energia, e ninguém treina bem depois de uma hora em pé no metrô lotado. Por isso monto a agenda pensando no deslocamento — horários fora do pico, sessões mais curtas em dias de calor e reposições quando a semana pesa.
Quando o deslocamento passa a custar mais do que rende, faço fisioterapia domiciliar. Em casa dá para trabalhar o ambiente real: a escada do prédio, o box do banheiro, a cadeira do escritório onde você passa oito horas.
A esclerose múltipla é uma das condições que atendo. O mesmo raciocínio se aplica às demais: entender qual função foi perdida, quanto ainda dá para recuperar e o que precisa ser adaptado.
Fisioterapia Neurológica — a base de tudo o que faço, e o ponto de partida de quem ainda não sabe qual caminho o caso pede. Trabalha neuroplasticidade: repetição com qualidade, progressão de dificuldade e treino da tarefa que importa para você.
Fisioterapia para Parkinson em São Paulo— treino de marcha, congelamento, equilíbrio e prevenção de quedas, no consultório ou em casa.
Fisioterapia para AVC em São Paulo— recuperação de força e movimento do braço e da perna depois do derrame, com treino de tarefa repetida e reeducação da marcha.
Fisioterapia para Neuropatia em São Paulo — para formigamento, dormência e perda de sensibilidade que já mudou o jeito de pisar. Entra também na neuropatia diabética.
Reabilitação Vestibular em São Paulo— para tontura, vertigem e desequilíbrio, queixas comuns quando a esclerose múltipla afeta tronco e cerebelo.
Exercício piora a doença? Não. Quando adequadamente prescrito, o exercício é considerado seguro e pode melhorar força, condicionamento, mobilidade, equilíbrio e fadiga.
Posso treinar durante um surto? Depende dos sintomas e da gravidade do surto. O programa precisa ser reavaliado e a intensidade pode ser reduzida temporariamente, priorizando mobilidade, segurança e manutenção da função. A conduta é alinhada com o neurologista quando necessário.
Por que o calor piora tudo? Em algumas pessoas, o aumento da temperatura corporal pode piorar temporariamente sintomas neurológicos já existentes. É o chamado fenômeno de Uhthoff. Os sintomas costumam melhorar quando o corpo esfria e, isoladamente, isso não significa um novo surto.
Vale fazer mesmo estando bem hoje? Sim. A fase estável é uma oportunidade importante para desenvolver força, condicionamento, equilíbrio e estratégias de movimento que ajudam a preservar a capacidade funcional e a autonomia ao longo do tempo.
Quantas vezes por semana? A frequência depende da avaliação. Duas a três sessões semanais podem ser utilizadas em muitos programas, com exercícios curtos em casa nos outros dias, mas a dose precisa ser individualizada.
Vocês atendem em casa? Para quem tem fadiga intensa ou dificuldade de deslocamento, o atendimento domiciliar pode ser uma boa alternativa e ainda permite trabalhar diretamente as tarefas e barreiras do ambiente real.
Atende plano de saúde? O atendimento é particular, com recibo para reembolso. Fale comigo e informe o nome do seu convênio para que eu verifique as condições.
Como escolher um fisioterapeuta para esclerose múltipla em São Paulo? Pergunte como a fadiga é avaliada e dosada, o que muda no plano durante um surto, como o calor é manejado na sessão e com que frequência o caso é reavaliado. Um serviço sério responde tudo isso sem rodeios. Um serviço sério responde tudo isso sem rodeio.
Atendimentos presenciais, domiciliares e online. Para mais informações e agendamentos, entre em contato por meio de uma das opções a seguir.