Você virou na cama e o quarto girou. Durou menos de um minuto, mas foi o suficiente para você passar a dormir sentado e a levantar devagar, com medo de acontecer de novo.
Ou é a outra versão: a crise forte passou faz meses, os exames não acusaram nada, e mesmo assim ficou uma tontura de fundo que aparece no corredor do supermercado, na escada rolante do metrô e quando você anda no meio da multidão.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, e trabalho com neurorreabilitação há 11 anos, no consultório em Higienópolis e no Hospital das Clínicas da USP.
A reabilitação vestibular trata tontura, vertigem e desequilíbrio com manobra e exercício — treinando o equilíbrio a funcionar de novo, em vez de apenas abafar o sintoma com remédio.
Seu equilíbrio funciona com três fontes de informação: o ouvido interno, os olhos e a sensibilidade dos pés e das articulações. O cérebro cruza as três. Quando uma delas passa a mandar informação errada, o cérebro percebe o conflito — e esse conflito é a tontura.
Daí saem dois caminhos de tratamento, e é a avaliação que diz qual é o seu.
Quando existe um cristal fora do lugar dentro do ouvido interno, o problema é mecânico e a solução é mecânica: uma manobra de reposicionamento recoloca a partícula onde ela deveria estar. É o caso da VPPB, a causa mais comum de vertigem, e costuma resolver rápido.
Quando o sistema está com uma perda de função, o caminho é outro: treinar o cérebro a recalibrar. Exercício repetido, na dose certa, ensina o sistema a compensar a informação que falta. Isso leva semanas, não dias, e depende de você fazer os exercícios em casa todos os dias.
A avaliação dura cerca de uma hora. Venha acompanhado se a tontura estiver forte, e evite tomar remédio para tontura nas horas anteriores — ele mascara os sinais que preciso observar. Confirme isso antes com quem prescreveu.
Cada plano usa parte disso, não tudo. A escolha sai da avaliação.
É o tratamento da vertigem que aparece ao virar na cama, deitar, levantar ou olhar para cima. A manobra reposiciona a partícula solta dentro do canal do ouvido interno, e a maior parte dos casos responde em uma a três sessões. Se não responder nesse intervalo, o diagnóstico é revisto — repetir a mesma manobra por meses não é tratamento.
Para quem sente o mundo balançar ou embaçar ao virar a cabeça, ao andar ou ao ler uma placa em movimento. São exercícios que treinam o reflexo que mantém a imagem estável na retina. Parecem simples demais para funcionar, e é justamente a repetição diária que faz o efeito.
Quando um movimento específico dispara o sintoma, o corpo aprende a evitá-lo — e evitar mantém o problema vivo. A habituação faz o caminho contrário, com exposição gradual e controlada, até aquele movimento deixar de provocar reação.
Tontura em pessoa mais velha é fator de risco direto para queda e fratura. O treino trabalha base de apoio, reação de proteção e marcha em ambientes que desafiam o equilíbrio — junto com a revisão de tapete, escada, iluminação e calçado.
De nada adianta melhorar na maca e continuar com medo do corredor do supermercado. A parte final do programa reproduz os ambientes que travam você: estímulo visual em movimento, multidão, escada rolante, virar a cabeça enquanto anda.
Raramente, e eu prefiro dizer isso de saída — mesmo trabalhando com neuromodulação todos os dias.
A reabilitação vestibular funciona com manobra e exercício. É assim que o equilíbrio se recalibra, e nenhum aparelho substitui essa parte. Quem oferece tontura tratada só com equipamento está vendendo atalho.
Existem exceções, e elas são específicas: tontura que vem junto de uma condição neurológica, como esclerose múltipla ou AVC de tronco e cerebelo, e alguns quadros de tontura persistente associada a enxaqueca. Nesses casos a neuromodulação não invasiva pode entrar como apoio ao treino, nunca no lugar dele — e sempre com avaliação médica.
Para a grande maioria de quem chega aqui com tontura, o tratamento é exercício bem indicado e feito com constância.
Aqui a resposta depende muito do tipo de tontura, e ela é bem diferente das outras condições que atendo.
VPPB: de uma a três sessões na maior parte dos casos. É um dos poucos tratamentos em que a pessoa sai da primeira consulta sentindo diferença.
Perda de função vestibular: o programa costuma durar de seis a doze semanas, com uma a duas sessões por semana e exercício diário em casa. Aqui o que você faz nos outros dias vale mais do que a sessão.
Tontura persistente, com meses de história: leva mais tempo e exige progressão cuidadosa, porque a exposição rápida demais faz a pessoa desistir.
A cada ciclo eu reavalio com teste: escalas de tontura, testes de equilíbrio, marcha e número de episódios no período. Sem resposta, o plano muda em vez de repetir.
A maior parte das tonturas não é grave. Mas uma parte pequena é sinal de algo que precisa de médico na hora, e essa distinção vem antes de qualquer agendamento comigo.
Procure atendimento de urgência se a tontura vier acompanhada de:
Nesses casos não espere consulta: vá ao pronto-socorro. Se estiver por perto, a Santa Casa e o Hospital das Clínicas ficam a poucos minutos de Higienópolis.
Fora dessa lista, a tontura costuma ter causa tratável — e a reabilitação vestibular resolve boa parte delas. O que quase nunca ajuda é conviver com o sintoma por meses achando que vai passar sozinho: quanto mais tempo o corpo passa evitando movimento, mais difícil fica a recalibração.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, CREFITO 3/159984-F.
Atuo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e no Instituto Parkinson Hoje. Coordeno cursos de neuromodulação para outros fisioterapeutas, fiz formação em neuromodulação clínica pela USP e em neurorreabilitação por Harvard, e participo de estudos e publicações da área.
Digo isso por um motivo prático: em tontura, o resultado depende quase todo do diagnóstico. A mesma queixa — “estou tonto” — cobre coisas com tratamentos completamente diferentes, e a manobra certa aplicada no canal errado não funciona.
Quando o quadro pede investigação médica, eu digo e encaminho. Trabalhar junto de otorrinolaringologista e neurologista faz parte do processo.
O consultório fica na Av. Angélica, 2220, 4º andar, conjunto 44, em Higienópolis.
A estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, fica a poucos minutos a pé e tem elevador — o que importa aqui mais do que em qualquer outra página deste site, porque escada rolante é um dos gatilhos clássicos de quem tem tontura. Recebo pacientes de toda a cidade — Pinheiros, Tatuapé, Morumbi, Santana — e também de Guarulhos, Osasco e do ABC.
São Paulo é um campo de treino difícil para o sistema vestibular, e isso entra no plano de propósito. Corredor de supermercado com prateleira alta dos dois lados, ônibus lotado balançando, multidão andando em direções diferentes na Avenida Paulista, escada rolante do metrô: são exatamente os ambientes que provocam sintoma, e a etapa final do programa treina você a atravessar cada um deles sem travar.
Para quem está em crise, com medo de sair ou com risco alto de queda, faço atendimento domiciliar — inclusive as manobras de reposicionamento, que podem ser feitas na sua própria cama.
A tontura às vezes vem sozinha e às vezes é parte de um quadro maior. Nas duas situações, o raciocínio é o mesmo: entender qual função foi perdida, quanto ainda dá para recuperar e o que precisa ser adaptado.
Fisioterapia Neurológica — a base de tudo o que faço, e o ponto de partida de quem ainda não sabe qual caminho o caso pede. Trabalha neuroplasticidade: repetição com qualidade, progressão de dificuldade e treino da tarefa que importa para você.
Fisioterapia para Parkinson — treino de marcha, congelamento, equilíbrio e prevenção de quedas, no consultório ou em casa.
Fisioterapia para AVC — recuperação de força e movimento do braço e da perna depois do derrame, com treino de tarefa repetida e reeducação da marcha.
Fisioterapia para Esclerose Múltipla — foco em fadiga, espasticidade e função motora, com dose de exercício calibrada para não passar do ponto.
Fisioterapia para Neuropatia — quando o pé perde sensibilidade e some mais uma fonte de equilíbrio, o risco de queda multiplica. Vale tratar as duas coisas juntas.
Labirintite é a mesma coisa que vertigem? Não. “Labirintite” virou nome popular para qualquer tontura, mas é um quadro específico e pouco frequente. A causa mais comum de vertigem ao virar na cama é a VPPB, que tem tratamento próprio e rápido.
Quantas sessões para a VPPB? De uma a três, na maior parte dos casos. Sem resposta nesse intervalo, o diagnóstico é revisto.
Preciso parar o remédio para tontura? Nunca por conta própria. Vale saber que remédios que suprimem o sintoma, usados por muito tempo, podem atrasar a adaptação natural do equilíbrio. Quem decide é o médico que prescreveu.
Preciso fazer exame antes? Nem sempre. A avaliação clínica identifica boa parte dos casos. Exame e consulta com otorrino ou neurologista entram quando o quadro é atípico ou persistente.
Os exercícios podem piorar a tontura? Um desconforto leve durante o exercício é esperado e faz parte da adaptação. Passar o dia mal depois da sessão, não — quando acontece, a dose estava alta.
Posso dirigir? Durante crises de vertigem, não. A volta ao volante é decidida caso a caso.
Vocês atendem em casa? Sim, inclusive as manobras de reposicionamento.
Atende plano de saúde? O atendimento é particular, com recibo para reembolso. Fale comigo com o nome do seu convênio que verifico as condições.
Atendimentos presenciais, domiciliares e online. Para mais informações e agendamentos, entre em contato por meio de uma das opções a seguir.