Começa quase sempre pelos pés, e quase sempre à noite. O formigamento que não passa, a queimação que piora quando você deita, aquele choque que sobe do dedo sem nenhum motivo.
Depois vem a parte que assusta mais: o pé que não sente direito o chão. A pessoa tropeça em coisa que sempre esteve ali, começa a olhar para baixo o tempo todo e perde a confiança de andar na rua.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, e trabalho com neurorreabilitação há 11 anos, no consultório em Higienópolis e no Hospital das Clínicas da USP.
A fisioterapia para neuropatia atua em duas frentes: reduzir o sintoma que incomoda — dor, queimação, formigamento — e recuperar o que a perda de sensibilidade tirou, que é equilíbrio, segurança para pisar e autonomia.
Neuropatia é o nervo periférico funcionando mal. Ele pode estar comprimido, inflamado ou danificado — e o motivo muda tudo no tratamento.
As causas que mais aparecem no consultório: diabetes, quimioterapia, compressão de nervo, lesão depois de cirurgia ou trauma, e casos em que a investigação não encontra causa definida.
O nervo doente manda dois tipos de sinal errado. Manda de menos, e a pessoa perde sensibilidade — o pé não avisa o cérebro onde está o chão. E manda de mais, e o cérebro entende como dor, queimação e choque algo que não deveria doer.
O tratamento cuida dos dois lados. Para o sinal excessivo, trabalhamos modulação da dor e dessensibilização. Para o sinal que falta, treinamos o corpo a se equilibrar usando visão, ouvido interno e a informação que ainda resta no pé.
A avaliação dura cerca de uma hora. Traga a eletroneuromiografia, se tiver, e o calçado que você mais usa no dia a dia — ele diz muito.
Cada plano usa parte disso, não tudo. A escolha sai da avaliação.
A queimação noturna, o choque e a sensação de pé pisando em brasa têm manejo. Usamos modulação da dor, dessensibilização gradual, exercício aeróbico — que tem efeito próprio sobre dor neuropática — e neuromodulação quando indicada. O objetivo é reduzir intensidade e devolver noite de sono, em conjunto com o médico que prescreve a medicação.
Quando o pé sente menos, o corpo perde a principal referência de onde está o chão. O treino ensina o equilíbrio a se apoiar mais na visão e no sistema vestibular, e a extrair o máximo da sensibilidade que restou. É a parte que mais muda a segurança de andar na rua.
A neuropatia enfraquece os músculos que levantam a ponta do pé, e o resultado é o tropeço em desnível pequeno. Fortalecer tornozelo e pé, corrigir o padrão de passo e avaliar órtese quando há pé caído reduz muito a queda por tropeço.
Inclui a parte prática: calçado adequado, inspeção diária do pé, revisão da casa — tapete, degrau, luz do corredor à noite. Em quem tem diabetes, essa etapa é tão importante quanto o exercício.
Formigamento em mãos e pés durante ou depois do tratamento oncológico é comum e costuma ser subtratado. Dá para trabalhar sensibilidade, equilíbrio, força de mão e condicionamento, com dose ajustada ao ciclo da quimioterapia e sempre com o oncologista informado.
Aqui existem dois caminhos, e eles atacam pontos diferentes do problema.
| Neuromodulação periférica | EMT e ETCC | |
|---|---|---|
| Onde age | no nervo do corpo | no cérebro |
| Alvo | o nervo afetado, direto | as áreas que processam a dor |
| Sensação | formigamento leve no local | batidinha no couro cabeludo ou formigamento |
| Quando costuma entrar | dor localizada, neuralgia, nervo comprimido | dor difusa ou que já se instalou há muito tempo |
| Onde é feita | consultório e domicílio | EMT só no consultório |
Nos dois casos a estimulação entra junto do treino, e não no lugar dele. A resposta varia bastante de pessoa para pessoa, e nenhuma das técnicas regenera nervo. Histórico de convulsão, gravidez, marca-passo e implantes exigem avaliação médica antes da primeira sessão. Se não fizer sentido para o seu caso, eu digo isso na avaliação.
Em geral duas sessões por semana, com um programa curto para casa nos outros dias. Dor neuropática costuma pedir algumas semanas de constância antes de mostrar resposta clara — é diferente de uma dor muscular, que cede rápido.
Uso um marco simples: por volta da sexta a oitava semana já dá para dizer se o caminho escolhido está funcionando. Se não estiver, trocamos a estratégia em vez de repetir mais do mesmo.
A cada ciclo eu reavalio com teste: escala de dor, mapa de sensibilidade, equilíbrio, velocidade de marcha e número de quedas ou tropeços no período. Ninguém deve seguir um tratamento por inércia.
Quase todo mundo procura ajuda pela dor. Mas em neuropatia, a parte perigosa é justamente a que não incomoda: a região que perdeu sensibilidade.
Um pé que não sente não avisa quando a sandália está machucando, quando a água do banho está quente demais, quando entrou uma pedrinha no sapato. A ferida aparece depois, já feita. Em quem tem diabetes, é assim que começa boa parte das úlceras de pé.
Duas orientações que valem desde hoje: olhe seus pés todos os dias, inclusive a sola e entre os dedos — se não alcançar, use um espelho no chão ou peça a alguém. E teste a água do banho com a mão ou o cotovelo, nunca com o pé.
O outro risco é a queda. Sem informação vinda do pé, o corpo demora mais a corrigir o desequilíbrio — e São Paulo não perdoa: calçada quebrada, raiz de árvore levantando o piso, guia alta, tudo escorregadio quando chove. Por isso o treino de equilíbrio pesa tanto no plano, e por isso ele progride até superfície irregular.
E o limite honesto: a fisioterapia trata sintoma e função. Ela não regenera o nervo e não substitui o controle da causa. Em neuropatia diabética, quem muda a progressão é o controle da glicemia, feito com o seu médico — essa é a parte mais importante de todas.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, CREFITO 3/159984-F.
Atuo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e no Instituto Parkinson Hoje. Coordeno cursos de neuromodulação para outros fisioterapeutas, fiz formação em neuromodulação clínica pela USP e em neurorreabilitação por Harvard, e participo de estudos e publicações da área.
Digo isso por um motivo prático: em neuropatia, muita gente recebe só aparelho e vai embora. Aparelho ajuda, mas sozinho não treina equilíbrio, não corrige a marcha e não evita a queda — e é a queda que costuma mudar a vida da pessoa.
Conto com uma equipe sob minha supervisão no dia a dia, mas todos os casos são coordenados por mim.
O consultório fica na Av. Angélica, 2220, 4º andar, conjunto 44, em Higienópolis.
A estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, fica a poucos minutos a pé e tem elevador. Também estamos perto do Hospital das Clínicas e da Santa Casa, onde muitos pacientes fazem o acompanhamento clínico. Recebo gente de toda a cidade — Pinheiros, Tatuapé, Morumbi, Santana — e também de Guarulhos, Osasco e do ABC.
O bairro serve de campo de treino em dois níveis. A Praça Buenos Aires, a poucos quarteirões, tem piso regular e banco para descanso, e é onde começam as primeiras caminhadas de quem ainda não confia no próprio pé. Depois vem o resto de Higienópolis, com a calçada de sempre — e é nele que a pessoa precisa aprender a andar de novo, porque é esse chão que espera lá fora.
Para quem tem dificuldade de sair de casa, faço fisioterapia domiciliar. Em casa consigo checar o que mais importa aqui: iluminação do corredor à noite, tapete solto, altura do degrau da entrada e o calçado que a pessoa realmente usa dentro de casa — chinelo velho e sem firmeza é causa frequente de queda.
A neuropatia é uma das condições que atendo. O raciocínio se repete nas outras: entender qual função foi perdida, quanto ainda dá para recuperar e o que precisa ser adaptado.
Fisioterapia Neurológica em SP — a base de tudo o que faço, e o ponto de partida de quem ainda não sabe qual caminho o caso pede. Trabalha neuroplasticidade: repetição com qualidade, progressão de dificuldade e treino da tarefa que importa para você.
Fisioterapia para Parkinson em SP — treino de marcha, congelamento, equilíbrio e prevenção de quedas, no consultório ou em casa.
Fisioterapia para AVC em SP — recuperação de força e movimento do braço e da perna depois do derrame, com treino de tarefa repetida e reeducação da marcha.
Fisioterapia para Esclerose Múltipla em SP — foco em fadiga, espasticidade e função motora, com dose de exercício calibrada para não passar do ponto.
Reabilitação Vestibular em SP — para tontura, vertigem e desequilíbrio. Vale avaliar quando a tontura se soma à perda de sensibilidade dos pés, porque o risco de queda multiplica.
Melhora o formigamento e a dormência? A queimação e o formigamento costumam responder bem. A dormência responde menos, porque depende do nervo. Mesmo assim, dá para treinar equilíbrio e marcha e reduzir muito o risco de queda.
Neuropatia diabética tem cura? A lesão instalada raramente é revertida por completo. Quem muda a progressão é o controle da glicemia, com o seu médico. A fisioterapia cuida do sintoma, do equilíbrio, da marcha e da prevenção de ferida no pé.
Faço quimioterapia. Posso? Pode, e vale começar cedo. A dose é ajustada ao ciclo do tratamento, e o seu oncologista precisa saber.
Preciso de encaminhamento médico? Para agendar a avaliação, não. Traga a eletroneuromiografia, se tiver, e a lista de medicações.
Quantas vezes por semana? Em geral duas, com exercício curto em casa nos outros dias. Dor neuropática pede constância antes de mostrar resposta.
Em quanto tempo sinto diferença? Costumo usar a sexta a oitava semana como marco para dizer se o caminho está funcionando. Sem resposta até lá, trocamos a estratégia.
Vocês atendem em casa? Sim. Com perda de sensibilidade nos pés, ver o ambiente real muda o plano.
Atende plano de saúde? O atendimento é particular, com recibo para reembolso. Fale comigo com o nome do seu convênio que verifico as condições.
Como escolher um fisioterapeuta para neuropatia em São Paulo? Pergunte se a sensibilidade dos pés é testada na avaliação, como o risco de queda é medido, o que é feito além de aparelho e de quanto em quanto tempo o caso é reavaliado. Um serviço sério responde tudo isso sem rodeio.
Atendimentos presenciais, domiciliares e online. Para mais informações e agendamentos, entre em contato por meio de uma das opções a seguir.