A alta do hospital costuma vir com um papel na mão e uma pergunta sem resposta: e agora, o que a gente faz em casa?
A família chega aqui com a mesma dúvida. A perna já anda um pouco, o braço não obedece, a mão fecha sozinha. Alguém disse que os primeiros seis meses são os que valem — e o relógio parece estar correndo contra.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, e trabalho com neurorreabilitação há 11 anos, no consultório em Higienópolis e no Hospital das Clínicas da USP.
A fisioterapia para AVC é o trabalho de reensinar o cérebro a comandar o que ele perdeu. Não é massagem, não é alongamento passivo: é treino de tarefa, repetido, com dificuldade ajustada semana a semana.
O AVC não estraga o músculo. Ele interrompe o caminho que levava a ordem do cérebro até o músculo. O braço está inteiro; o que faltou foi o comando chegar.
O cérebro consegue abrir caminhos novos para essa ordem passar — é o que se chama de neuroplasticidade. Só que ele faz isso pelo uso: reforça o que é praticado e abandona o que fica parado.
Daí a lógica da fisioterapia para AVC: repetição de tarefa com sentido, muitas vezes, com dificuldade regulada para você errar um pouco. Fácil demais não ensina nada. Difícil demais desanima e o braço volta a ficar parado.
Também tratamos o hábito que se instala sem ninguém perceber: o lado bom compensa tudo, e o lado afetado desaprende mais um pouco a cada dia. Boa parte do trabalho é obrigar o lado que sofreu a participar de novo.
A avaliação dura cerca de uma hora. Traga o relatório de alta e os exames de imagem, e venha acompanhado de quem cuida de você em casa.
Cada plano usa parte disso, não tudo. A escolha sai da avaliação.
É a queixa que mais aparece e a que menos costuma ser trabalhada direito. O treino parte do movimento que existe hoje, por menor que seja, e usa tarefa com objeto real: pegar, soltar, girar, levar à boca. Quando há movimento ativo suficiente, restringimos o lado bom por períodos curtos para forçar o lado afetado a trabalhar.
Andar depois do AVC costuma voltar torto: o joelho estala para trás, o pé cai, o quadril sobe para o pé passar. Corrigir isso exige treino de apoio, cadência e transferência de peso, e não só “andar mais”. Quando a órtese é necessária, ajusto o treino a ela em vez de fingir que ela não existe.
Quem teve AVC cai bastante, e a queda costuma vir na virada de corpo ou na hora de sentar. Trabalhamos reação de proteção, transferências e confiança para sair de casa — junto com a parte sem glamour: tapete solto, degrau da entrada, barra no banheiro.
A mão que fecha e o cotovelo que trava têm manejo: posicionamento, alongamento na hora certa, treino ativo e conversa com o médico quando a toxina botulínica entra na conta. O ombro do lado afetado pede atenção extra, porque puxar o braço errado no dia a dia gera uma dor que atrapalha meses de reabilitação.
Como transferir da cama para a cadeira sem machucar as costas de ninguém, como estimular sem fazer pela pessoa, o que cobrar e o que deixar passar. Essa parte não é cobrada à parte — o que acontece nos outros seis dias da semana pesa mais do que a sessão.
Depois do AVC, os dois lados do cérebro ficam desequilibrados: o lado lesionado responde menos, e o lado sadio passa a mandar mais do que deveria. A neuromodulação é usada para mexer nessa conversa e deixar o cérebro mais receptivo ao treino que vem em seguida — ela prepara o terreno, não substitui o exercício.
| EMT | ETCC | |
|---|---|---|
| O que usa | pulso magnético | corrente elétrica fraca |
| Intensidade | maior, chega mais fundo | mais suave, superficial |
| Sensação | batidinha no couro cabeludo | leve formigamento |
| Durante a sessão | você fica sentado | dá para treinar ao mesmo tempo |
| Onde é feita | só no consultório | consultório e domicílio |
Na reabilitação pós-AVC, a ETCC costuma render bem justamente porque permite estimular e treinar o braço na mesma sessão. Dito isso: a pesquisa na área ainda está em construção, os resultados variam de pessoa para pessoa e nenhuma das duas técnicas devolve movimento sozinha. Se não fizer sentido para o seu caso, eu digo isso na avaliação.
Em geral duas a três sessões por semana, com um programa curto para fazer em casa nos outros dias. Em AVC, volume de repetição é o que mais pesa no resultado — e a maior parte da repetição acontece fora do consultório.
O foco muda ao longo do tempo. No começo o alvo costuma ser sentar, levantar e transferir com segurança. Depois vem a marcha. O braço entra em paralelo e é o que exige mais paciência de todo mundo.
A cada ciclo eu reavalio com teste, não com impressão: tempo de levantar e andar, escala de função do membro superior, velocidade de marcha, número de quedas. Se em algumas semanas não houver resposta, mudamos o plano. Ninguém deve seguir um tratamento por inércia.
É a pergunta que mais escuto, quase sempre com culpa junto. A resposta honesta tem duas partes.
Sim, os primeiros meses rendem mais. A recuperação espontânea é mais forte nos três a seis meses iniciais, e treinar bem nesse período aproveita esse impulso. Quanto antes começar, melhor.
E não, a porta não fecha. Ganho de função acontece anos depois, principalmente em quem nunca fez treino específico para a tarefa que quer recuperar. Recebo muita gente que passou dois anos alongando e fortalecendo, sem nunca ter treinado pegar um copo.
O que a fisioterapia para AVC não faz: não desfaz a lesão, não garante que a mão volte ao que era e não substitui o controle da pressão, do diabetes e dos remédios que previnem um novo AVC. Isso é com o seu médico, e é a parte mais importante de todas.
Se alguém prometer recuperação total, com prazo, sem nem ter avaliado você, procure outro serviço.
Sou Francielly F. Santos, fisioterapeuta, CREFITO 3/159984-F.
Atuo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e no Instituto Parkinson Hoje. Coordeno cursos de neuromodulação para outros fisioterapeutas, fiz formação em neuromodulação clínica pela USP e em neurorreabilitação por Harvard, e participo de estudos e publicações da área.
Digo isso por um motivo prático: em AVC, o que separa um bom resultado de um resultado morno raramente é o equipamento. É a dose de repetição, a escolha da tarefa e a progressão feita na hora certa.
Conto com uma equipe sob minha supervisão no dia a dia, mas todos os casos são coordenados por mim.
O consultório fica na Av. Angélica, 2220, 4º andar, conjunto 44, em Higienópolis.
A localização ajuda quem sai de alta: estamos a poucos minutos da Santa Casa e do Hospital das Clínicas, então muita gente chega aqui já na primeira semana em casa. A estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, fica perto e tem elevador — o que faz diferença para quem ainda não encara escada rolante. Recebo pacientes de toda a cidade — Pinheiros, Tatuapé, Morumbi, Santana — e também de Guarulhos, Osasco e do ABC.
Higienópolis também serve de campo de treino. A Praça Buenos Aires, a poucos quarteirões, tem piso regular, sombra e banco para descansar, e é onde costumo orientar as primeiras caminhadas fora de casa. O resto do bairro é o São Paulo de sempre: calçada quebrada, raiz de árvore, guia alta. Treinar nisso entra no plano assim que existe segurança, porque é o chão real que espera lá fora.
Para quem ainda não consegue se deslocar, faço fisioterapia domiciliar — costuma ser o formato dos primeiros meses depois da alta. Em casa eu vejo o que importa: altura da cama, largura da porta do banheiro, degrau da entrada, onde a cadeira de rodas não passa.
O AVC é uma das condições que mais atendo, mas não é a única. O raciocínio se repete: entender qual função foi perdida, quanto ainda dá para recuperar e o que precisa ser adaptado.
Fisioterapia Neurológica em São Paulo — a base de tudo o que faço, e o ponto de partida de quem ainda não sabe qual caminho o caso pede. Trabalha neuroplasticidade: repetição com qualidade, progressão de dificuldade e treino da tarefa que importa para você.
Fisioterapia para Parkinson em São Paulo — treino de marcha, congelamento, equilíbrio e prevenção de quedas, no consultório ou em casa.
Fisioterapia para Esclerose Múltipla em São Paulo — foco em fadiga, espasticidade e função motora, com dose de exercício calibrada para não passar do ponto.
Fisioterapia para Neuropatia em São Paulo — para formigamento, dormência e perda de sensibilidade que já mudou o jeito de pisar. Entra também na neuropatia diabética.
Reabilitação Vestibular — para tontura, vertigem e desequilíbrio, queixas que aparecem com frequência depois de um AVC de tronco ou cerebelo.
Quanto tempo demora para recuperar? A fase mais rápida são os três a seis primeiros meses, mas ganho de função continua depois. Prazo fixo, ninguém honesto promete.
Já faz dois anos. Ainda adianta? Vale avaliar. O ritmo é mais lento, mas função se recupera anos depois — sobretudo quando o treino nunca foi específico para a tarefa que a pessoa quer de volta.
A mão vai voltar? Depende de quanto movimento ativo existe hoje, principalmente no punho e nos dedos. Algum movimento voluntário no início é o melhor sinal que temos. Digo o que é realista para o seu caso na avaliação, mesmo quando a resposta é difícil.
Preciso de encaminhamento médico? Para agendar a avaliação, não. Traga o relatório de alta, os exames de imagem e a lista de medicações.
Quantas vezes por semana? Em geral duas a três, com exercício em casa nos outros dias. Repetição é o que move o resultado.
Vocês atendem em casa? Sim. Nos primeiros meses depois da alta, costuma ser o formato que rende mais.
Atende plano de saúde? O atendimento é particular, com recibo para reembolso. Fale comigo com o nome do seu convênio que verifico as condições.
Como escolher um fisioterapeuta para AVC em São Paulo? Pergunte quantas repetições a sessão tem, quais escalas são usadas, de quanto em quanto tempo o caso é reavaliado e como o resultado será medido. Um serviço sério responde tudo isso sem rodeio.
Atendimentos presenciais, domiciliares e online. Para mais informações e agendamentos, entre em contato por meio de uma das opções a seguir.